As crônicas de um barbudo em Game of Thrones

por Samuel Tonin maio 01, 2016 0 Comentários

Enquanto milhões de pessoas de todos os cantos do mundo se reuniram domingo passado pra finalmente saber se Jon Snow tinha ou não morrido em Game of Thrones, o barbudo Breno Lira tinha outra preocupação: ele queria ver se a cena que havia filmado na pele do capitão de um navio iria ao ar.

É que há quase dois anos o cara se mudou de Pernambuco pra Dublin, na Irlanda, justamente pra viver o sonho de ser figurante da sua série favorita (antes mesmo de GoT estrear, ele já havia devorado todos os livros de "As Crônicas de Gelo e Fogo", de George R. R. Martin, saga que deu origem à superprodução da HBO). Quando lemos sobre ele no site da Vice, corremos atrás do barbudão pra ouvir mais histórias dos bastidores de Game of Thrones.

A tal cena do navio ainda não foi ao ar, mas Breno já contabiliza inúmeras aparições desde que largou o trabalho na área de tecnologia de informação e foi viver como figurante profissional (ele também já participou das séries "Penny Dreadful" e "Vikings" e de uma produção alemã chamada "A Dangerous Fortune").

"Antes de vir pra Dublin, eu tinha pesquisado sobre outros brasileiros que trabalharam em GoT. Procurei a agência que contrata os figurantes e, em pouco mais de um mês, eu já tava sendo chamado pra trabalhar no set. Você manda as suas informações, medidas corporais, fotos e, se você for aprovado, eles já chamam para fazer o 'fitting', que é a prova do figurino, e avisam quando vai ser o dia da filmagem", explica Breno, que tem cenas na quinta e sexta temporadas.

"Na primeira vez que fui gravar, cheguei umas 2 horas antes, estava nervoso, fiquei com medo de acontecer algum imprevisto. Na hora de entrar no estúdio, me deram um crachá com o nome da série, fiquei muito feliz, sabia que ia ser uma experiência surreal! No caminho, já fui vendo o pessoal construindo os cenários, os figurinos, parecia uma criança num parque de diversões!"

Nesse meio tempo, ele já foi um nobre de Volantis, e apareceu na cidade em que Tyrion Lannister é sequestrado, andando nas ruas, vendendo cestos numa barraca, depois negociando frutas em uma tomada aérea... "Mas nessa tem que pausar a cena e apontar."

Logo mais foi um mercenário do exército do rei Stannis Baratheon na sequência em que ele mata a filha na fogueira. "Era uma cena de nevasca (essa foto aí embaixo), estava fazendo muito frio, mas a neve era falsa. A gente ficou em uma espécie de acampamento com muitas máquinas que jogavam essa neve. Ali foi a primeira vez que percebi quão impressionante é o nível da produção. E também pude ver de perto a atuação da atriz que interpreta a mãe da menina queimada."

Em um outro momento, Breno foi chamado para interpretar um Dothraki, mas dessa vez seu personagem seria em 3D, adicionado depois na cena. "Eles levam a gente para uma sala para digitalizar nosso corpo com centenas de câmeras, onde capturam a imagem 360 graus." 

Pra sexta temporada, foram quase 3 semanas de trabalho, o que obrigou Breno a tirar férias do seu trabalho como barista em uma cafeteria de Dublin. "Valeu a pena, porque consegui fazer uma cena de ação, de batalha. Antes das filmagens, tivemos 4 dias de um treinamento em formação militar e manuseio de armas." Em casos assim, de batalha, dependendo do esforço físico, ele pode ganhar até 200 libras pela diária. Para dias mais calmos, de nobre de Volantis, por exemplo, o comum é receber 90 libras.

Mais recentemente, Breno também foi chamado para uma audição de "feature extra", um nível acima dos figurantes, "quase um papel de ator, com uma posição muito importante na cena". Ele seria um Dothrake com a Daenerys na sexta temporada. "Éramos oito no teste, e quatro seriam escolhidos. Mas o diretor acabou mudando, e a cena não foi ao ar." Para este teste, ele leu um roteiro e assinou contrato para evitar vazamentos de informações sobre a trama.

E além desse papo sobre Game of Thrones, o Breno ainda fez uma Mixtape aqui pra gente. A música que ele sempre ouve no caminho para o set de filmagem é 'November', do Max Richter. Além do climão orquestral de Richter, a lista ainda tem muita coisa boa de indie rock. Strokes, Juian Casablancas, os veteranos Bowie e Velvet Underground, MGMT...

E enquanto não começa o próximo episódio, aperta o play aí na Mixtape do cara. Mas aperta rápido porque já sabe, né... Valar Morghulis!

[ Assine e ouça a Mixtape também no Spotify ]


Samuel Tonin
Samuel Tonin

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Publicitário, ciclista, gamer e aspirante a baixista nas horas vagas. Fundador da Sobrebarba.


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