10 anos de experiência no currículo. Até descobrir que não quero um. - Sobrebarba

10 anos de experiência no currículo. Até descobrir que não quero um.

por Fernanda Kawazoe Agosto 30, 2016

Como descobrir o que fazer para o resto da minha vida? Que carreira seguir? No que me especializar?

Em 2006, no auge dos meus 23, formada em Propaganda e Marketing e cursando Pós em Administração Estratégica essas eram as perguntas que me preocupavam. Eu tinha gana de ser uma mega profissional de marketing. E precisava responder essas questões para alcançar o meu objetivo

Decidi prestar alguns processos de trainee e vim trabalhar no Rio de Janeiro, na Telemar. Sinceramente, eu não tinha ideia do que era essa tal de Telemar. Pensei “deve ser tipo a Telesp”.

Por que raios eu mudaria de cidade, largaria a Pós no meio, iria trabalhar em uma empresa que eu nem conhecia — e mais: em uma área que não era nem de Comunicação. Na hora a decisão foi simples: Eu achei o cara que me entrevistou uma pessoa bacana e contagiante.

Então a única certeza que eu tinha era: vou trabalhar com um cara foda, alguém com quem eu vou aprender muito. De mala pronta, CEAG trancado, caderno na bolsa, lá fui eu para a primeira de muitas pontes aéreas que viriam pela frente.

Primeira semana: Sabe peixe fora d’água? Então, isso. Descobri que eu tinha sotaque, que me vestia diferente da galera, que não tinha mais nenhum/nenhuma japa nem no mesmo andar, quiça mesmo prédio que eu trabalhava. E, que eu não entendia nenhuma sigla das reuniões. TUP? OCT? Churn? High End, Low End..? Quantos atendentes precisamos colocar nas centrais de atendimento para atender os clientes diamante durante a campanha de varejo do alto valor OQUERAIOSEUESTOUFAZENDOAQUI?

Primeiro mês: Descobri que morar em hotel não é tão legal quanto eu pensava que seria, que o Rio de Janeiro é mais legal do que eu pensava que seria. Que não só eu tenho sotaque, mas a minha mãe, meu pai , minha irmã, meus amigos, todos tem sotaque! Já me sentia melhor quanto ao trabalho. Cai de cabeça, corpo e alma pra tentar entender tudo e inclusive o PPT-report-de-relatório-de-resultados-da-área-do-mês seria minha responsabilidade (yeeii!). Virei a noite fazendo o tal PPT, pela manhã fui na mesa do meu diretor apresentar. Confesso que deu um friozinho na espinha, afinal, ele me trouxe e eu queria fazer tudo certo. Ufa! Entre alguns ajustes na apresentação, um feedback e outro, no final ele disse: “Fe, esta tudo ótimo, estou adorando o seu trabalho, mas…

…frio na espinha, na barriga, na sola do pé…
…tem uma área que esta com um projeto novo e que é a sua cara!”
Na hora achei que ele estava me dispensando com delicadeza. Depois, fui entender que na verdade ele estava me dando uma daquelas oportunidades que aparecem na sua vida.

Então fui abraçar o novo projeto: Mudar a marca de Telemar para Oi.

Agora eu fazia parte do super time de três pessoas que cuidariam dessa migração. Essas 3 viraram cinco, que viraram vinte, depois quarenta e depois muito mais porque sem envolver o máximo de pessoas possível é impossível colocar um monstrengo desse de pé.

O meu MBA agora era na prática e com uma das melhores agências de branding que eu já conheci. Acompanhei as pesquisas, entrevistas, escolha de identidade, desdobramento e entendi o papel da Comunicação em uma estratégia de negócio. Ainda mais nesse mercado de Telecom, que muda o tempo todo, que tem um impacto enorme em desenvolvimento humano e, claro, movimenta muitos cifrões por aí

Aprendi um monte sobre branding, comunicação, processos, gestão de projetos. Fazia muito sentido porque eu queria ser uma grande executiva, quem sabe assumir uma diretoria de comunicação e/ou de marketing em uma grande empresa… (nota: louco ver o ‘eu’ do passado, né?). Mudamos a marca, fizemos ações de comunicação inovadoras pra época, construímos plataformas de marca e o resultado/impacto no negócio foi bem expressivo.

De 2007 a 2013: Muitas campanhas e ações de comunicação que amei fazer parte, muitas ações institucionais que só de lembrar me enchem os olhos e o coração, conexões com pessoas incríveis — que tenho carinho e contato até hoje e desejo nunca perder — mais um novo projeto de marca que considero meu segundo MBA,… enfim, experiências insubstituíveis. ❤

Então tá. Gosto muito do meu trabalho, faço com o coração e dedicação mas esse negócio de trabalhar mais de 12 horas/dia não estava legal. Cadê o equilíbrio profissional — pessoal? Qualidade de vida e tudo mais?

Dizem que existe a crise dos 7 anos, pode ser. Dizem que existe a crise dos 30, pode ser também. Sinceramente, não sei. Pode ser a lua em Saturno... Só sei que mais uma aquelas janelas de oportunidade se abriu e lá fui eu.

Em 2013, mudei de emprego, conheci novas pessoas, reencontrei amigos, assumi novas responsabilidades e, teoricamente encontrei aquele equilíbrio de horas trabalhadas por dia que tanto buscava. Tudo certo. Final feliz.
Nããããoooooo! Claro, que não!

Como ainda me sobrava um tempinho… comecei a ajudar um amigo meu em seu projeto pessoal. Mas não é trabalho né gente? É um projeto! hahaha. Ledo engano. Mas nessa época eu já sabia que realmente gostava de me enfiar em novos projetos, novas ideias e quanto menos conhecidas, melhor.

Passei o ano de 2014 envolvida nesse projeto pessoal dele, que não sei dizer direito quando mas em algum momento passou a ser um projeto pessoal meu também e de repente: Éramos sócios e tínhamos um negócio. Investimos muito tempo, energia, tutano, dinheiro e nos dedicamos para caralho e junto com mais 15.378 pessoas colocamos a Sobrebarba no mundo.

2015 foi o ano que abandonei a CLT, que descobri um novo significado para a palavra burocracia e também um novo significado para a palavra dedicação. Tive menos horas de lazer, encontrei menos os amigos, trabalhei mais do que as tais 12 horas/dia, beeemm maisss… E, como todo ponto tem um contra-ponto: aprendi um monte sobre muita coisa que nunca imaginei, estava mais feliz, com mais certeza que estava trilhando um caminho bom seja ele qual fosse.

Em 2016, o esquema de trabalho é intercalado entre home-office / “out-of-office”. Não no sentido de largar tudo e fugir do trabalho. Mas descobri que é muito rico trabalhar em um lugar diferente pelo menos um dia da semana, conhecer histórias, encontrar pessoas e fazer conexões. Essas são coisas você só vai conseguir se estiver disposta. Acredito que isso faz uma puta diferença. Esse dia a dia nos permite não só a conhecer novidades mas também ajuda a pensar de uma forma mais arejada naqueles problemas que ficam ali martelando dias.

Esse ano também conseguimos trazer mais gente a bordo na Sobrebarba, amigos queridos, profissionais responsáveis que tornam as manhãs/tardes/noites/madrugadas mais divertidos e o dia a dia mais leve. A responsabilidade aumentou um bocado também, junto com as burocracias e os desafios, mas acho que é normal, né?

Também pintei o cabelo de cinza, fiz viagens de última hora, aprendi a fazer cerâmica e fiz uma horta em casa (quer dizer, estou tentando fazer a horta). Mas, voltando ao post…
Afinal, descobri o que quero fazer para o resto da minha vida?
Foram 10 anos de experiências que eu achei que colocaria no currículo. Para descobrir que não quero mais ter que atualizar nenhum.

Sempre dedico muito tempo para o planejamento de cada etapa, de cada mudança. Planejamento é uma etapa essencial. Mas acabo não seguindo muito. XD

Sem pessoas não conseguimos fazer p*** nenhuma. Agarre-se nas que ama e conheça novas pessoas sempre que possível.

“out-of-office” is the new black. Aliás, se conhecer algum lugar legal para se trabalhar por aí, registra ele no Work From. ;)

Deve ter mais coisa pra colocar nessa listinha, mas esse resumo aí de cima acho que representa bem. Por fim, não descobri o que quero fazer para o resto da minha vida, e nem no que tenho que me especializar. Espero que nos próximos 10 anos eu continue fazendo sempre algo novo e diferente, continue aprendendo e planejando muito, continue não cumprindo meu próprio planejamento e botando a cara no sol. :D





Fernanda Kawazoe
Fernanda Kawazoe

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